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segunda-feira, janeiro 07, 2008

Soltar

Let Go: a Buddhist Guide to Breaking Free of Habits, é o tema do livro e do retiro que Martine Batchelor vai orientar em Gaia. No último retiro que organizámos, com o prof. Ricardo Sasaki, na passagem de Ano, acentuou-se o cultivar de Sati, a atenção plena (tradução mais corrente), ou vigilância (uma tradução provavelmente mais correcta); como por acaso, o retiro do próximo fim-de-semana, "Libertando-se dos hábitos" dá continuidade a esta prática, acentuando o soltar, o largar. De uma certa forma, tudo se resume a isso.

segunda-feira, setembro 10, 2007

A vida vale a pena...

.. mas é preciso prática. Este é o título de um livro do Bo Lozoff, co-fundador de Human Kindness Foundation. Li há uns anos atrás We're all Doing Time (sobre meditação nas prisões mas, basicamente, "somos todos prisioneiros"), e o que me interessou foi o lado muito prático de tudo o que ele dizia. Neste It's a Meaningful Life a urgência da prática neste Planeta Terra & Companhia Lda está ainda mais em evidência. Para além de uma vida mais simples e atenta às pequenas coisas, Bo Lozoff sugere práticas a que nos podemos dedicar durante um determinado período de tempo, por exemplo, um mês - em vez de pensar que temos tanto por onde começar... que não começamos nada. E para os mais apressados, o facto de tomarmos consciência de determinados padrões, é já muito importante. Por exemplo, mesmo que não consigamos começar por um voto tipo "não falar de ninguém que não esteja presente", porque não começar por nos darmos conta de quantas vezes falamos de alguém sem essa pessoa estar presente? Esse pequeno passo é já muito revelador.... a não ser, claro, que passemos à fase seguinte... pois "podemos fazer o mais difícil":

"We have a saying around Kindness House, the community where I live: 'You can do hard.' The reason that we say this is that, in our modern era, the words 'It's too hard' have become an anthem for giving up. Have an ache or pain, reach for a pill; get depressed after losing a job, take Prozac for a while. A friend once confided to me that she regretted divorcing her husband. She said the only reason she did it was the prevailing attitude at the time that 'If it gets really hard, why make yourself suffer?' Maybe we have become afraid to tackle anything that might be very hard; maybe we've been convinced that we can't do hard things.

" 'You can do hard' is one of my community's ways of reminding us that we need not run away in fear just because something is greatly challenging. It might be daunting, but we can do daunting. It might even be scary, but we can do scary. No matter how bad it is-and it could be very bad for a while-we can do it. And then years later, it's just one sentence: 'Sita and I hated each other for most of 1979; we held on to our marriage by a thread.' Just one little sentence in a conversation. Nothing extraordinary. Nobody falls over when you tell them.

"We can do hard. Really, we can. Don't let a brief cultural myopia fool you into thinking you'll crumble when the chips are down. Human beings are designed for the chips to be down sometimes. We can endure unimaginably hard things and come out better for them."

... O que me faz recordar ainda uma entrevista que li há pouco tempo com um filósofo francês da actualidade (acho que foi o Gilbert Simondon), que dizia que um dos grandes flagelos do mundo moderno é o complexo de vitimização. Não só procuramos coisas fáceis como quando se torna difícil, somos todos vítimas. Esse tipo de visão falsa só pode arrastar-nos para mais outra história... ou para nos afundar-nos ainda mais na nossa história...

sexta-feira, julho 20, 2007

um momento

Passar as contas entre os dedos

Até que estar e ser tenham o mesmo reflexo




quinta-feira, março 08, 2007

Linguagem correcta

Do acesso ao insight. Porque me pediram.

Mundo da água




Ao ler este texto, não pude deixar de pensar no elemento Água, que a-bordamos ontem. Quem esteve na sessão, sabe que às tantas o tema trans-bordou. Coisas da água.




Algumas das sensações/imagens que a água "me" evoca: brincadeira/prazer, envolvimento, purificação, morte/vida, dor/lágrimas. Uma ideia que "me" evocaram: "deixar-se ir". Outra ideia visual - a linha do horizonte: o que está para traz dessa linha?




Um conselho de Tenzin Wangyal Rinpoché: se estiveres numa situação que te causa rigidez, falta de à-vontade, recorda o conforto da água. Se te sentes agitado, preocupado, demasiado crítico, liga-te à água.




Algures no meio do deserto, há um poço escondido.

O Principezinho

Os cinco elementos



Às quartas-feiras na UBP temos estado a "explorar" os cinco elementos. Há um texto lindíssimo de Tenzin Wangyal Rinpoché que, embora um pouco longo, vale a pena ler. É um pouco o mito da criação à maneira tibetana :)



"Para cada um de nós tudo começa com o espaço primordial, a Grande Mãe onde todas as coisas existem, e em que todas as coisas se dissolvem. Neste espaço há movimento. O que o causa, ninguém sabe. Os ensinamentos apenas dizem: “Os ventos do karma moveram-se”. Este é o movimento do nível mais subtil do lung ou prana, a energia que impregna o espaço infinito, sem características ou divisões. Unido indissoluvelmente ao fluxo de prana está o fluxo da consciência (awareness) primordial, pura e sem identidade. Nesta consciência pura surgem cinco luzes.

As cinco luzes são aspectos da luminosidade primordial. Estas são as cinco luzes puras, o nível mais subtil dos elementos. Falamos sobre a luz e a cor das cinco luzes puras, mas isto é simbólico. As cinco luzes puras são mais subtis do que a luz visível, mais subtis do que tudo o que é percepcionado pelos olhos, mais subtil do que qualquer energia medida ou avaliada por qualquer meio. São as energias de que todas as outras energias, incluindo a luz visível, surgem.

A luz branca é o espaço, a verde é o ar, a vermelha é o fogo, a azul é a água e a amarela é a terra. Estes são os cinco aspectos da luminosidade pura, as energias de arco-íris da esfera da existência.

Quando as cinco luzes são vividas dualisticamente, enquanto objectos para um sujeito que as percepciona, tornam-se mais substanciais. As cinco luzes não se tornam mais grosseiras, mas através da distorção da visão dualística, o indivíduo vê-as como mais grosseiras. Como os elementos se tornam mais substanciais, são mais discriminados, e através das suas interacções manifestam-se enquanto fenómenos, incluindo o sujeito e os objectos que formam toda a experiência dualística.

As cinco luzes tornam-se os elementos naturais, em bruto, e cinco categorias inclusivas de qualidades pertencentes à realidade externa. Tornam-se as diferentes dimensões da existência que são os vários reinos nos quais seres com ou sem forma existem. Como que endurecem e formam os órgãos, os cinco ramos do corpo, os cinco dedos de cada mão, os cinco dedos de cada pé, os cinco sentidos, e o campo dos cinco sentidos. E se continuamos na ilusão, as cinco luzes tornam-se as cinco emoções negativas ou as cinco sabedorias e as cinco famílias de Buda se reconhecermos a sua pureza.

Isto não é uma história sobre uma criação que aconteceu num passado distante. É sobre como vivemos enquanto seres e sobre a ignorância e a iluminação. Se as cinco luzes são reconhecidas como não-dualistas, manifestações incessantes da pura base da existência, o nirvana começa. A consciência (awareness) não se torna ignorante ou iluminada – permanece não dual e pura. Mas as qualidades que nela surgem podem ser vistas como positivas ou negativas. Se a consciência integra e identifica as qualidades puras, um Buda surge; se se identifica com as impuras, um ser samsárico surge. Neste preciso momento, agora, aqui, o processo continua.

Dependendo do facto de integrarmos a nossa experiência imediata com consciência não dual ou de nos agarramos à falsa separação de nós mesmos enquanto sujeitos que experienciam objectos e entidades externas, estaremos num estado natural não dual ou numa mente ignorante."

(do livro Healing with Form, Energy and Light)

Começámos esta investigação pelos elementos na semana passada a partir do elemento Terra. Não sabia muito bem o iria sair dali e, a nível pessoal, a sessão superou as minhas expectativas.

Ontem o Guilherme trouxe-nos um poema sobre o primeiro tema/elemento:


Terra


Qualidade que permite estar
E te-cer o corpo que permanece
Na imobilidade do segredo profundo


Império de cristal mais puro
Duração infinda e inanimada
Da massa espessa e escura


Entidade ordenada e previsível
Trama relacional dos acontecimentos
Alicerce primordial das verdades


Compreensão (e compressão) silenciosa.

imagem: Andy Weber