segunda-feira, setembro 10, 2007

A vida vale a pena...

.. mas é preciso prática. Este é o título de um livro do Bo Lozoff, co-fundador de Human Kindness Foundation. Li há uns anos atrás We're all Doing Time (sobre meditação nas prisões mas, basicamente, "somos todos prisioneiros"), e o que me interessou foi o lado muito prático de tudo o que ele dizia. Neste It's a Meaningful Life a urgência da prática neste Planeta Terra & Companhia Lda está ainda mais em evidência. Para além de uma vida mais simples e atenta às pequenas coisas, Bo Lozoff sugere práticas a que nos podemos dedicar durante um determinado período de tempo, por exemplo, um mês - em vez de pensar que temos tanto por onde começar... que não começamos nada. E para os mais apressados, o facto de tomarmos consciência de determinados padrões, é já muito importante. Por exemplo, mesmo que não consigamos começar por um voto tipo "não falar de ninguém que não esteja presente", porque não começar por nos darmos conta de quantas vezes falamos de alguém sem essa pessoa estar presente? Esse pequeno passo é já muito revelador.... a não ser, claro, que passemos à fase seguinte... pois "podemos fazer o mais difícil":

"We have a saying around Kindness House, the community where I live: 'You can do hard.' The reason that we say this is that, in our modern era, the words 'It's too hard' have become an anthem for giving up. Have an ache or pain, reach for a pill; get depressed after losing a job, take Prozac for a while. A friend once confided to me that she regretted divorcing her husband. She said the only reason she did it was the prevailing attitude at the time that 'If it gets really hard, why make yourself suffer?' Maybe we have become afraid to tackle anything that might be very hard; maybe we've been convinced that we can't do hard things.

" 'You can do hard' is one of my community's ways of reminding us that we need not run away in fear just because something is greatly challenging. It might be daunting, but we can do daunting. It might even be scary, but we can do scary. No matter how bad it is-and it could be very bad for a while-we can do it. And then years later, it's just one sentence: 'Sita and I hated each other for most of 1979; we held on to our marriage by a thread.' Just one little sentence in a conversation. Nothing extraordinary. Nobody falls over when you tell them.

"We can do hard. Really, we can. Don't let a brief cultural myopia fool you into thinking you'll crumble when the chips are down. Human beings are designed for the chips to be down sometimes. We can endure unimaginably hard things and come out better for them."

... O que me faz recordar ainda uma entrevista que li há pouco tempo com um filósofo francês da actualidade (acho que foi o Gilbert Simondon), que dizia que um dos grandes flagelos do mundo moderno é o complexo de vitimização. Não só procuramos coisas fáceis como quando se torna difícil, somos todos vítimas. Esse tipo de visão falsa só pode arrastar-nos para mais outra história... ou para nos afundar-nos ainda mais na nossa história...

3 comentários:

José António disse...

Esse livro deixa vontade de o ler, contudo, haveria necessidade de o encontrar em português.
Não existe essa versão, pois não?
Editoras e tradutores precisam-se!
:-)

chumani disse...

existe a tradução brasileira... mas realmente há tanta coisa interessante não traduzida que nem sei por onde começar :)

Anónimo disse...

Já foi pior.
Nos ultimos tempos têm aparecido uma série de livros com boas traduções relativos a este tipo de temas.
Existem pelo menos 3 editoras despertas pra isto...
A tendencia é pra aumentar.
:-)
Não há duvidas!