segunda-feira, setembro 25, 2006

Blogs e budismo


Dois artigos sobre arte budista, do Stephen Batchelor que merecem atenção e reflexão: Clapping with Stones e The New Aniconic Shrine at Bamiyan (adoro a maneira como ele vai à fonte - li recentemente um artigo de Batchelor sobre Shantideva que vou ter de traduzir!).

E o último da Sharon Salzberg, sobre letting go, fantástico! esta questão do letting go leva-me para algo que não cesso de observar, o quanto não abdicamos do nosso eu, seja ele lá o que achamos que é. Não abdicamos de ter razão, não abdicamos das nossas histórias, de querer mostrar o quanto somos especiais, ou diferentes, ou... seja o que for. Mesmo sabendo, claro, que a prática não é sobre ter razão, ganhar uma batalha, mostrar o quanto somos especiais e inteligentes e boas pessoas. Claro que a pergunta pode ser: mas como é que "largamos mão de"? Ajahn Sumedho expressa-o muito bem: "largamos mão de... ao largar mão de" (we let go by letting go"). Da mesma maneira que quando temos "uma brasa a queimar na mão a soltamos imediatamente"... mas parece que não sentimos o ego e as suas ficções como uma brasa a arder! :) Os cientistas ocidentais que se reúnem anualmente com o Dalai Lama, já tiveram oportunidade de o conhecer de uma forma próxima ao longos dos anos, e o que dizem dele é que, evidentemente, exprime emoções, como todos nós. Chora, ri, encoleriza-se. Mas não fica à volta dessa história. Larga-a.